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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Déficit do governo federal em julho bate recorde desde a pandemia


 O governo federal registrou um déficit primário de R$ 59,1 bilhões em julho de 2025, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira, 28. O resultado é quase sete vezes maior que o mesmo mês do ano passado, quando o déficit havia sido de R$ 8,9 bilhões, e se torna o segundo pior da série histórica, atrás apenas do recorde negativo de 2020, de R$ 87 bilhões.

O resultado reflete a combinação de aumento das despesas e queda das receitas. No mês, o Tesouro Nacional e o Banco Central (BC) juntos registraram déficit de R$ 16 bilhões, enquanto a Previdência Social acumulou um rombo de R$ 42 bilhões. Em comparação a julho de 2024, houve redução real de 9,4% na receita líquida do governo, equivalente a R$ 201 bilhões, e crescimento de 35% nas despesas totais, somando R$ 260 bilhões.

A diferença também é tão discrepante, porque, em 2025, o governo federal optou por antecipar o pagamento de precatórios que tradicionalmente seriam quitados em agosto para julho. Essa alteração resultou em um aumento significativo nas despesas do mês, contribuindo para o expressivo déficit primário registrado. Sem essa antecipação, o déficit de julho teria sido, provavelmente, menor.

Algumas causas do déficit do governo federal

Além da antecipação dos precatórios, o governo enfrentou os já citados aumento nas despesas e quedas nas receitas líquidas em comparação com julho de 2024. Esses fatores combinados resultaram neste déficit primário, o segundo maior da série histórica, perdendo apenas para o registrado em 2020, quando se iniciou a pandemia.

No acumulado de 12 meses, o déficit primário do governo central chegou a R$ 34,1 bilhões, representando 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Para este ano, o Tesouro e o BC registram superávit de R$ 176 bilhões, mas o resultado é completamente compensado pelo déficit de R$ 246 bilhões da Previdência Social.

Apesar do déficit elevado, a receita total do governo em julho apresentou crescimento de R$ 10,6 bilhões (4,5%) em termos reais, enquanto a receita líquida avançou R$ 7,6 bilhões (3,9%) em relação ao mesmo período do ano passado. O Tesouro destacou que esse aumento foi impulsionado principalmente pelas receitas administradas pela Receita Federal, que subiram 5,8% em termos reais, ou R$ 8,8 bilhões.

Revista Oeste 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Tarifas dos EUA podem tirar R$ 25,8 bilhões do PIB brasileiro


 Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que, mesmo com as isenções concedidas ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos e que entrou em vigor nesta quarta-feira (6/8), o PIB brasileiro pode sofrer um impacto negativo de R$ 25,8 bilhões no curto prazo.

Para o longo prazo, a estimativa é de uma perda de R$ 110 bilhões. A federação calcula ainda que a queda na renda das famílias alcançará R$ 2,74 bilhões em até dois anos. E haverá redução de 146 mil postos de trabalho formais e informais.

O levantamento da Fiemg divulgado na terça-feira (5/8) indica que os setores industriais mais atingidos serão siderurgia, fabricação de produtos de madeira, de calçados e de máquinas e equipamentos mecânicos.

Na agropecuária, o efeito recai sobre a pecuária, especialmente a cadeia da carne bovina, que segue fora da lista de isenções tarifárias e representa parcela significativa da pauta exportadora nacional.

O Brasil exportou aproximadamente US$ 40,4 bilhões aos EUA em 2024, o equivalente a 1,8% do PIB nacional. Metade desse valor está concentrado em combustíveis minerais, ferro e aço, e máquinas e equipamentos — setores diretamente afetados pelas novas tarifas.

Os produtos brasileiros que seguem sujeitos à taxação representam cerca de 55% das exportações ao mercado americano, um total de aproximadamente US$ 22 bilhões. Entre os itens mais afetados estão café, carne bovina, produtos semimanufaturados de ferro e aço e produtos manufaturados.

Metrópoles

Tarifa extra de 50% dos EUA sobre produtos do Brasil entra em vigor


 A sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a exportações brasileiras para o mercado americano entrou em vigor à 1h01 (horário do Brasil) desta quarta-feira (6). A tarifa atinge 36% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA, segundo o governo brasileiro, incluindo itens importantes na relação comercial entre os dois países, como máquinas agrícolas, carnes e café.

Graças a cerca de 700 exceções previstas no decreto (leia a íntegra) que oficializou a medida, 43% do valor de itens brasileiros exportados para o país escapam das novas alíquotas, como mostrou levantamento feito pela Folha. Estão isentos deste tarifaço, por exemplo, derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil —o que livra a Embraer— e suco de laranja.

Cerca de 20% das exportações, como aço, alumínio e autopeças, são sujeitas a tarifas setoriais específicas.

Desde abril, o país já sofria uma sobretaxa de 10% imposta pelos EUA a uma série de países. No mês passado, Trump adicionou mais 40% devido a questões políticas. Com isso, produtos brasileiros que estão fora da lista de exceções passam a pagar sobretaxa de 50%, além das tarifas que já incidem normalmente.

O etanol, por exemplo, pagava tarifa de 2,5% antes de Trump voltar ao poder. Agora, a alíquota passará a 52,5%. O impacto se estende a outros setores, como frutas, sal e itens de menor peso na balança comercial, mas de grande importância para pequenas e médias empresas exportadoras.

O decreto assinado por Trump, embora trate de uma medida econômica, foca críticas ao governo brasileiro e a decisões do Judiciário e não menciona o comércio bilateral. Na carta em que anunciava a intenção de ampliar as tarifas ao país, o americano havia citado erroneamente haver um déficit comercial com o Brasil, quando na verdade há superávit.

O texto do decreto, por sua vez, menciona diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é réu em inquérito que apura suposta tentativa de golpe em 2022. A Casa Branca afirma que a medida visa “lidar com ameaças incomuns e extraordinárias à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.

A sobretaxa aplicada ao Brasil é a maior entre as cerca de 70 anunciadas pelos Estados Unidos na semana passada —as taxas para os outros países entram em vigor nesta quinta (7). Trump impôs tarifas de 41% para a Síria, 39% para a Suíça, 30% para a África do Sul e 15% para a Venezuela. Índia e Taiwan serão alvo de uma tarifa de 25% e 20%. Lesoto, que havia sido ameaçado com uma taxa de 50%, ficou com 15%.

O Canadá, antigo aliado dos EUA, ficou com 35%, sob o argumento de Trump de que a nação vizinha não atuou para impedir o fluxo de fentanil ao país. O México, que foi ameaçado com o mesmo índice, conseguiu negociar uma expansão de 90 dias antes da aplicação das sobretaxas.

Apesar de cerca de 40% dos produtos brasileiros terem escapado do tarifaço, especialistas apontam que a medida tem efeito negativo para cadeias estratégias da economia.

Folha de S.Paulo

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

União gasta R$ 1,7 bi com diárias e passagens no 1º semestre de 2025


 Os gastos da União com diárias e passagens somaram R$ 1,7 bilhão no 1º semestre de 2025, sob a Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trata-se de uma alta de 8,5% na comparação com o mesmo período em 2024 (R$ 1,5 bilhão), em valores corrigidos pela inflação a preços de junho.

É o maior valor real para um 1º semestre desde 2014, no governo de Dilma Rousseff (PT): R$ 2,0 bilhões. A série histórica teve início em 2011.

Os dados são do Tesouro Nacional e estão disponíveis no relatório do resultado primário de junho de 2025.

Leia a trajetória dos gastos com diárias e passagens no 1º semestre desde 2011:

Foto: Poder 360

A União gastou R$ 1,0 bilhão com diárias no 1º semestre de 2025–crescimento de 8,7% ante 2024. As despesas com passagens e locomoção subiram 8,2% no mesmo período.

Lula 3 supera Bolsonaro

O custeio com viagens de janeiro a junho em 2023, em 2024 e em 2025 atingiu R$ 4,6 bilhões –é 46% maior do que o que foi pago durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) no 1º semestre de 2019 a 2022, com R$ 3,2 bilhões.

As restrições a viagens e a queda nos deslocamentos por causa da pandemia resultaram em uma queda nas despesas nos 6 primeiros meses de 2020 (R$ 622,1 milhões) e de 2021 (R$ 457,2 milhões). Houve alta de 100,6% em 2022 em relação ao ano anterior.

Foto: Poder 360

Há 38 ministérios ante 23 no governo de Bolsonaro. São mais gastos com viagens e hospedagens para ministros e auxiliares.

Houve um crescimento das despesas com diárias e passagens aéreas sob Lula, o que denota uma indisposição em cortar gastos no governo do petista.

Poder 360

sábado, 2 de agosto de 2025

INDÚSTRIA DO CHOCOLATE ENFRENTA NOVA PRESSÃO COM ALTA NO PREÇO DO CACAU EM PÓ


 A crise no mercado de cacau segue se agravando e agora atinge também o pó de cacau, insumo essencial para a indústria alimentícia. Após sucessivos aumentos no preço da manteiga de cacau, que confere textura e cremosidade ao chocolate, os fabricantes agora lidam com uma forte valorização do pó, responsável por boa parte da cor e do sabor característicos do produto.   Utilizado em uma ampla gama de itens, que vai de preparações para panificação a bebidas proteicas, o cacau em pó registrou um salto de aproximadamente 16% nos preços nos Estados Unidos no último ano. Atualmente, o valor do produto gira em torno de US$ 9 mil por tonelada métrica no país, enquanto na Europa os preços superam os US$ 10 mil, aproximando-se de recordes históricos, conforme dados da Commodity Risk Analysis, via KnowledgeCharts.  O cenário representa mais um desafio para os principais fabricantes de chocolate do mundo, cujos custos de produção vêm sendo fortemente impactados. Para lidar com a pressão, empresas têm adotado estratégias como a redução no tamanho das barras, inclusão de ingredientes adicionais, como nozes,  e o lançamento de linhas alternativas sem chocolate.  Fabricantes artesanais, como a Raaka Chocolate, de Nova York, também estão sentindo os efeitos da escassez. A empresa relata que o custo do cacau em pó triplicou, afetando diretamente a produção de itens como misturas para chocolate quente e novos produtos em desenvolvimento. A oferta, além de cara, está cada vez mais escassa, obrigando empresas a garantir estoques com antecedência junto a fornecedores internacionais.  Um dos fatores que intensificaram a escassez foi a tentativa da indústria de substituir a manteiga de cacau por óleos vegetais. No entanto, essas alternativas não possuem o mesmo sabor nem a tonalidade, o que tem levado à necessidade de usar mais pó para manter as características sensoriais dos produtos.   Além disso, a queda na rentabilidade da moagem do grão de cacau desestimula os processadores. A manteiga, componente mais lucrativo, chega a custar US$ 8 mil a mais por tonelada do que o pó. Com a redução da demanda por manteiga, o volume de pó disponível também diminui, alimentando o ciclo de escassez.  O aperto no fornecimento e a alta nos preços indicam que o consumidor final deverá continuar sentindo os efeitos da crise, seja no bolso ou na composição dos produtos que chegam às prateleiras.  Fonte: Invest News

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Taxa de 50% dos EUA veja quais produtos brasileiros foram poupados


 Apesar de ter anunciado uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, o governo dos Estados Unidos decidiu deixar vários itens de fora da cobrança.

A lista de produtos isentos foi divulgada nesta quarta-feira (30), junto com o decreto oficial assinado pelo presidente Donald Trump.

Segundo o texto, continuam livres da tarifa extra produtos como alimentos enviados como suco de laranja, combustíveis, veículos, peças de avião e alguns tipos de metais e madeira.

Essas exceções foram incluídas no anexo da ordem executiva e valem a partir da data em que a medida entra em vigor.

A taxação deve impactar significativamente as exportações brasileiras. No entanto, a lista de isenções pode representar um alívio para setores como o aeronáutico, energético e agrícola.

Confira os principais itens que não serão afetados pela alíquota adicional de 40%:

  • Artigos de aeronaves civis

Estão isentos todas as aeronaves civis (não militares), seus motores, peças, subconjuntos e simuladores de voo. A lista inclui desde tubos e mangueiras até sistemas elétricos, pneus e estruturas metálicas.

  • Veículos e peças específicas

A tarifa não se aplica a veículos de passageiros, como sedans, SUVs, minivans e vans de carga, além de caminhões leves e suas respectivas peças e componentes.

  • Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre

Produtos específicos e derivados desses metais, incluindo itens semiacabados e componentes industriais, também estão fora da nova alíquota.

  • Fertilizantes

Fertilizantes amplamente utilizados na agricultura brasileira estão isentos da tarifa adicional.

  • Produtos agrícolas e de madeira

A lista inclui castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, mica bruta, madeira tropical serrada ou lascada, polpa de madeira e fios de sisal ou de outras fibras do gênero Agave.

  • Metais e minerais específicos

Estão isentos produtos como silício, ferro-gusa, alumina, estanho (em diversas formas), metais preciosos como ouro e prata, ferroníquel, ferronióbio e produtos ferrosos obtidos por redução direta de minério de ferro.

  • Energia e produtos energéticos

A tarifa não se aplica a diversos tipos de carvão, gás natural, petróleo e derivados, como querosene, óleos lubrificantes, parafina, coque de petróleo, betume, misturas betuminosas e até energia elétrica.

  • Bens retornados aos EUA

Artigos que foram exportados para reparo, modificação ou processamento e que retornam aos Estados Unidos sob certas condições também estão isentos, com exceções específicas para o valor agregado.

  • Bens em trânsito

Produtos que já estavam em trânsito antes da entrada em vigor da ordem — desde que cheguem aos EUA até 5 de outubro — não serão afetados pela nova tarifa.

  • Produtos de uso pessoal

Itens incluídos na bagagem acompanhada de passageiros que chegam aos Estados Unidos estão isentos da alíquota adicional.

  • Donativos e materiais informativos

Doações de alimentos, roupas e medicamentos destinados a aliviar o sofrimento humano estão isentas, salvo se o presidente considerar que representam risco à segurança nacional. Também estão livres da tarifa materiais informativos como livros, filmes, CDs, pôsteres, obras de arte e conteúdos jornalísticos.

g1

Dívida pública federal sobe para R$ 7,88 trilhões em junho de 2025


 O estoque da dívida pública federal atingiu R$ 7,88 trilhões em junho de 2025. O número representa uma alta de 2,77% em relação a maio, quando era R$ 7,67 trilhões.

Em valores nominais, a dívida subiu R$ 212,71 bilhões. O Tesouro Nacional divulgou os dados na 2ª feira (28.jul.2025).

A dívida pública é emitida pelo governo federal para financiar o deficit orçamentário, ou seja, para cobrir as despesas que superam a arrecadação com impostos, contribuições e outras receitas.

O indicador é tido como uma das principais referências para a avaliação da capacidade de pagamento do país pelas agências globais que avaliam o grau de investimento. O passivo inclui os débitos do governo no Brasil e no exterior.

Eis a composição do estoque:

  • DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal interna) – saiu de R$ 7,36 trilhões em maio para R$ 7,58 trilhões em junho de 2025;
  • DPFe (Dívida Pública Federal externa) – passou de R$ 309,2 bilhões em maio para R$ 302,1 bilhões em junho de 2025. Esse é o endividamento obtido no mercado externo.

O prazo médio da DPF era de 4,20 anos em maio de 2025. Recuou para 4,14 anos em junho.  Em 2024, era de 4,05 anos.

Dívida bruta

A dívida pública percentual em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) atingiu 76,1% em maio de 2025, segundo o BC (Banco Central), que divulgou dados em 31 de janeiro. Registrou uma alta de 0,2 ponto percentual em relação a abril deste ano.

Em valores, equivale a R$ 9,3 trilhões. Esses dados se referem à DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral), como é conhecido o indicador.

O BC tem uma metodologia mais ampla, uma vez que inclui títulos do governo com a autoridade monetária e débitos dos governos estaduais e municipais. Os dados de junho de 2025 devem ser divulgados na 5ª feira (31.jul).

A reserva de liquidez atingiu R$ 1,03 trilhão em junho de 2025. Em termos nominais, o dinheiro em caixa para pagamento da dívida avançou 19,64% em relação a maio deste ano (R$ 861,30 bilhões).

O patamar atual assegura o pagamento do vencimento da dívida em aproximadamente 8,44 meses. Em maio de 2025, o índice de liquidez estava em 8,77 meses.

Detentores da dívida

Eis como se dá a participação dos detentores da dívida:

  • 31,3% – instituições financeiras;
  • 23,1% – Previdência;
  • 22,1% – fundos;
  • 9,8% – não residentes;
  • 3,7% – seguradoras;
  • 3,0% – governo;
  • 7,0% – outros.

Poder 360

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Aperto no Orçamento multiplica uso de brechas para gastar fora das regras


 A situação de aperto nas contas públicas tem tido o efeito colateral de multiplicar o uso de brechas para gastar fora das regras fiscais ou até mesmo do Orçamento, com efeitos negativos sobre a priorização de recursos públicos, a transparência e o endividamento do país.

O emprego desses expedientes perpassa diferentes gestões, embora economistas vejam indícios de intensificação da estratégia durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os instrumentos são variados e envolvem o uso do setor privado para bancar ações de responsabilidade do governo, a criação de instituições para fugir do teto de gastos, a execução de políticas públicas por meio de fundos e a flexibilização de regras fiscais para excluir despesas.

O limite para os gastos públicos e o avanço das despesas obrigatórias sobre o espaço disponível (muitas vezes devido a resistências políticas em fazer mudanças ou reformas) são o pano de fundo para esse movimento.

Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), pelo menos 55 países adotam uma regra que limita despesas, que traz previsibilidade sobre a trajetória fiscal, mas também impõe desafios.

“A regra de despesa tem esse defeito: você gera um desvio finalístico importante. Se um órgão gerar muita arrecadação própria, ele não pode reverter isso [em gastos] porque está limitado pela despesa”, diz o economista Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público do FGV Ibre.

Segundo ele, a situação gera dois problemas: desincentiva a melhor gestão desses ativos e induz a criação de subterfúgios para executar políticas fora do Orçamento.

A realização dos chamados investimentos cruzados é um exemplo de subterfúgio, ao delegar ao setor privado a execução de despesas que caberiam à União. Isso já foi feito em leilões de concessão ou privatização, quando o governo abriu mão de uma receita para não precisar colocar mais uma despesa no Orçamento.

No leilão da tecnologia 5G, em 2021, o governo reduziu os valores de outorga em troca do compromisso dos vencedores de investir R$ 3,1 bilhões na conectividade das escolas. A aplicação dos recursos é definida por um grupo técnico presidido por um representante da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), sem passar pelo Orçamento.

Em 2024, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou falta de clareza sobre metas, critérios, beneficiários e atendimento às prioridades legais. Também criticou a demora para a prestação de contas dos estados contemplados pelos repasses, prevista só para 2027. Procurada, a Anatel não respondeu.

Na privatização da Eletrobras, concluída em 2022, a empresa firmou um compromisso de aplicar R$ 8,75 bilhões ao longo de dez anos na revitalização de bacias de rios e na redução do custo da energia na Amazônia Legal. Até agora, foram aportados R$ 2,8 bilhões, já considerando a correção anual dos valores pela inflação.

A aplicação dos recursos é decidida por três comitês, dois deles presididos pelo MIDR (Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional) e outro pelo MME (Ministério de Minas e Energia). As informações sobre projetos e execução não são centralizadas. Além disso, o número de ações selecionadas é maior do que o daquelas que possuem os custos discriminados em portais públicos.

Folha de S.Paulo

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Venezuela ignora acordo comercial e impõe tarifa de 77% sobre os produtos brasileiros


 Sem aviso prévio, a Venezuela começou a cobrar o imposto de importação sobre os produtos brasileiros que seriam isentos mediante apresentação do certificado de origem. Representantes de setores locais envolvidos na operação ainda apuram por que o País vizinho passou a fazer isso.

Desde 2014, Brasil e Venezuela têm um Acordo de Complementação Econômica que os impedem de cobrar, entre si, o imposto sobre quase todos os itens. Assim, apenas eventuais descumprimentos do termo ou decisões unilaterais retomariam a cobrança. No ano passado, a relação entre os países ficou estremecida após o presidente Lula (PT) não reconhecer a reeleição do ditador Nicolás Maduro.

O País de Maduro é o principal parceiro comercial de Roraima, consecutivamente, desde 2019. Em 2024, o Estado exportou, para a nação vizinha, 144,6 milhões de dólares em produtos (R$  799 milhões na atual cotação), especialmente farinha, cacau, margarina e cana de açúcar, todos com direito à isenção do imposto. Sem o acordo, a Venezuela cobra de 15% a 77% sobre cada item brasileiro.

O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, Eduardo Ostreicher, desconfia que a cobrança seja uma ordem do governo venezuelano em relação aos países do Mercosul ou um erro no sistema de cobrança. Assim, ele prepara uma carta à embaixada brasileira em Caracas com informações que já conseguiu possui sobre o assunto.

“Se for uma falha, precisamos aguardar a regularização do sistema. Se for determinação, será necessário conversar com as autoridades venezuelanas pra resolver a situação, porque ambos os governos perdem com isso”, disse.

A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) iniciou apurações internas para identificar as dificuldades para a aceitação, pela Venezuela, dos certificados de origem de produtos brasileiros.

Em nota, a entidade também reforçou que está em contato direto com autoridades brasileiras e venezuelanas para cobrar esclarecimentos e soluções rápidas para normalizar o fluxo comercial bilateral.

A Fier ainda destacou que, até o momento, os processos de emissão e reconhecimento dos certificados seguem rigorosamente as normas da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e o Acordo de Complementação Econômica firmado entre os dois países.

Responsável por emitir os certificados de origem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que recebeu um relatório sobre dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros na Venezuela.

Assim, a pasta confirmou que a embaixada brasileira em Caracas já está em contato com autoridades venezuelanas para esclarecer a situação, enquanto o MDIC dialoga com representantes do setor produtivo para reunir informações mais desenvolvidas sobre os casos.

Folha BV

Contas externas têm maior deficit para junho em 11 anos


 As contas externas do Brasil registraram deficit de US$ 5,1 bilhões em junho. Esse foi o maior saldo negativo para o mês desde 2014, quando somou US$ 5,4 bilhões. O BC (Banco Central) divulgou o resultado nesta 6ª feira (25.jul.2025).

O saldo negativo aumentou 52,3% em relação a junho de 2024, quando totalizou US$ 3,4 bilhões. A autoridade monetária calcula mensalmente as transações correntes do setor externo no Brasil. Considera o saldo da balança comercial (exportações e importações), os serviços adquiridos por brasileiros no exterior e a movimentação financeira da renda, como remessa de juros, lucros e dividendos para outros países.

Segundo o Banco Central, o resultado negativo foi puxado pelo deficit maior na conta de renda primária. O saldo negativo aumentou de US$ 4,9 bilhões em junho de 2024 para US$ 6,2 bilhões em junho de 2025.

A balança comercial teve superavit de US$ 5,4 bilhões no mês. Caiu US$ 374 milhões em relação a junho de 2024 (US$ 5,7 bilhões).

Já os serviços tiveram deficit de US$ 4,5 bilhões em junho ante US$ 4,4 bilhões do mesmo mês do ano passado.

No acumulado de 12 meses, o deficit em transações correntes somou US$ 73,1 bilhões, o que corresponde a 3,42% do PIB (Produto Interno Bruto). Era de US$ 71,4 bilhões (3,35% do PIB) em maio e de US$ 28, bilhões (1,28% do PIB) em junho de 2024.

Poder 360

quinta-feira, 24 de julho de 2025

BC: vazam dados do Pix de 11 milhões de pessoas; acesso a contas foi preservado


 O Banco Central comunicou, nesta quarta-feira (23), que ocorreram acessos indevidos a dados vinculados a chaves Pix no Sisbajud (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário), que é operado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O CNJ afirma que o incidente que ocorreu entre domingo (20) e segunda-feira (21) provocou o vazamento dos dados de 11.003.398 pessoas. Foram acessados dados como nome da pessoa, chave Pix, nome do banco, número da agência e número da conta.

As informações vazadas são cadastrais, do tipo que não permitem movimentação de recursos, nem acesso às contas ou a outras informações financeiras, segundo o BC, ressaltando não foram obtidos dados sensíveis e sob sigilo bancário, como senhas, movimentações financeiras ou saldos em contas.

Apesar de os dados vazados por si só não permitirem o acesso às contas nos bancos, o CNJ reforça que a exposição de dados cadastrais gera riscos e sublinha recomendações de segurança que os bancos já divulgam com frequência.

“O CNJ não se utiliza de qualquer meio de comunicação aos afetados, como mensagens, SMS, e-mail ou chamadas telefônicas”, pontua.

O órgão ainda vai disponibilizar um canal exclusivo para consulta ao cidadão, que será divulgado no site oficial do Conselho.

CNN

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